Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

...e ao 25º ano LPM desceu à Terra

Vindo do Oriente, Luís Paixão Martins, uma espécie de todo o poderoso da comunicação, arrastou consigo o “Estado-Maior” da LPM para os Meninos do Rio, na passada Sexta-feira ao final da tarde, num gesto simpático, ao associar-se à terceira edição do PR After Work por ocasião da celebração do início do 25º ano de actividade daquela empresa.

 

Uma descida do reino dos céus ao mundo dos mortais dos consultores de comunicação, onde todos tiveram a oportunidade de ver ao vivo e a cores Luís Paixão Martins. Para os mais influentes e bem colocados, houve mesmo direito a momentos de confraternização e de troca de palavras.

 

Diz, quem sabe, que Luís Paixão Martins é “o” senhor da comunicação em Portugal, independentemente das infindáveis discussões sobre rankings no seio do sector, sempre assentes numa lógica de “a minha é maior do que a tua” (leia-se empresa).

 

Sem o Facebook pelo meio, desta vez era a sério, Luís Paixão Martins estava mesmo ali, em carne e osso, ao alcance de qualquer um. Uma oportunidade imperdível e um privilégio raro, mesmo para os colaboradores da LPM (ver Luís Paixão Martins a vaguear pelos corredores do Edifício Lisboa Oriente é algo que se assemelha a uma aparição da Nossa Senhora… Acontecimento raro e só para alguns).

 

Talvez distante (e provavelmente sem paciência) dos assuntos mundanos da agência, mas atento às grandes questões estratégicas, Luís Paixão Martins foi cultivando a sua própria imagem de líder ao longo destes anos. A empresa que fundou foi crescendo e ganhando notoriedade à conta da sua imagem e reputação.

 

À semelhança do que acontece com as maiores consultoras do mercado nacional, a LPM é um reflexo do seu líder, seja no seu posicionamento, na sua filosofia ou no seu funcionamento. E o mesmo se pode dizer em relação a outras consultoras.

 

Até aqui tudo bem, não fosse a excessiva personalização destas empresas nas figuras dos seus fundadores, acabando por transformá-los em líderes carismáticos (no sentido de Karl Popper), com tudo o que tem de bom e de mau.

 

Goste-se ou não, e com as devidas diferenças, homens como Luís Paixão Martins, António Cunha Vaz, José Manuel Costa ou Salvador da Cunha são eles as próprias empresas. Não há uma separação entre ambos e, como tal, estas empresas não são potencialmente vendáveis e nem sequer atractivas no mercado sem os seus líderes.

 

Dificilmente há uma LPM sem Luís Paixão Martins, tal como não há uma GCI sem José Manuel Costa, uma Cunha Vaz & Associados sem António Cunha Vaz ou uma Lift sem Salvador da Cunha.

 

Ou seja, são empresas que nunca se libertaram da sombra dos seus líderes, e esta realidade (que deu frutos ao longo dos últimos 20 anos) pode levantar sérios problemas à sua sustentabilidade a médio e a longo prazo.

 

Estas lideranças acabaram por “secar” tudo à sua volta. Apela-se ao leitor para fazer o seguinte exercício: Consegue identificar um possível “número 2” da LPM, da GCI, da Cunha Vaz ou da Lift? Provavelmente, não.

 

E porquê? Porque, efectivamente, estas empresas não têm nos seus quadros potenciais líderes à altura dos actuais. Os anos de existência dessas empresas foram quase sempre vividos em liderança solitária, sendo a LPM um bom exemplo dessa realidade. No caso da LPM existe um problema acrescido: o seu posicionamento na política e nos círculos de poder. Além do Luís Paixão Martins, dificilmente a LPM terá alguém que consiga movimentar-se nessas áreas e ser reconhecido como uma pessoa “influente”.

 

Agora que a LPM entra no seu 25º ano de existência, com um negócio consolidado e uma posição sólida no mercado, este será talvez o grande desafio para o Luís Paixão Martins reflectir. Que liderança terá no futuro?

 

E aqui não se está a falar de bons consultores, gestores ou administrativos (porque esses as empresas têm), mas sim de líderes com influência, devidamente reconhecidos, com visão e capacidade de mobilização.

 

Neste capítulo, Luís Paixão Martins está sozinho, tal como outros líderes o estão. Alguns, eventualmente, por opção, outros por não terem opção e outros, simplesmente, por nunca terem equacionado esta problemática.

 

publicado por Alexandre Guerra às 18:28
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4 comentários:
De blog global a 18 de Outubro de 2010 às 19:07
o teu blog esta muito fixe vai ao mau discoboy.blogs.sapo.pt
De Anónimo a 18 de Outubro de 2010 às 22:33
LPM=João Paixão?
De Ricardo Salvo a 18 de Outubro de 2010 às 23:28
Ora aqui está um problema bem sério do sector (em Portugal) para algumas consultoras. Post pertinente, este. Mas há solução.
De Mónica Mendes Coelho a 19 de Outubro de 2010 às 14:27
Boa reflexão! Um bom post.

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