Domingo, 1 de Agosto de 2010

Um problema para os líderes do sector resolverem quando regressarem de férias

Por esta altura do ano é de presumir que a maioria dos donos e dos directores de consultoras de comunicação estejam a banhos, já (compreensivelmente) distanciados das problemáticas que vão perpassando o sector, até porque normalmente a “silly season” é pouco propícia a grandes novidades.

 

No entanto, a julgar por uma notícia da Lusa de Sexta-feira, se este autor tivesse algum tipo de responsabilidade na gestão de uma agência de comunicação ou na defesa dos interesses associativos do sector já estaria a fazer a algumas contas, porque o regresso de férias poderá dar algumas dores de cabeça.

 

O tema dos direitos de propriedade intelectual de artigos jornalísticos não é novo, tendo aliás sido alvo de discussão mais intensa em países como Espanha ou Inglaterra, mas parece que finalmente veio “bater à porta” das consultoras nacionais, embora na altura mais improvável, em plena época estival.

 

O presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, disse à Lusa que a partir de 1 de Agosto, ou seja, teoricamente hoje, irá iniciar-se o processo de concessões de licenças para utilização de conteúdos jornalísticos pelas empresas em serviços de clipping.

 

Num primeiro momento, de acordo com aquilo que se pode depreender das palavras de Palmeiro, serão os “clientes” das agências – que recebem o clipping e depois reutilizam internamente – a ter de obter o licenciamento.

 

Na prática, isto deverá significar que os “clientes” além de pagarem o “fee” de clipping às agências ou directamente às empresas de clipping, terão agora também de pagar uma taxa pelos direitos de propriedade intelectual dos jornalistas à Associação Portuguesa de Imprensa.

 

A Vitapress, uma cooperativa que aglomera os principais grupos de comunicação social criada para este fim, irá num segundo momento abordar as empresas que fazem clipping, que podem também ser agências de comunicação, serviços públicos ou outro tipo de entidade, e cobrar as taxas dos direitos de propriedade intelectual.

 

Não deixa de ser estranho que o momento escolhido para começar a implementar esta medida seja em pleno mês de Agosto, mas certamente que a Associação Portuguesa de Imprensa terá uma explicação lógica.

 

Por outro lado, caso se venha a concretizar a obrigatoriedade da obtenção de licenças por parte das empresas que utilizam e fornecem clipping, isto poderá representar uma alteração significativa nos valores praticados no mercado pelas consultoras no que diz respeito aos “fees” e aos honorários dos projectos.

 

Assim sendo, talvez este seja um tema que deva estar no topo das preocupações dos responsáveis pelo “negócio” e pelo sector da comunicação em Portugal, mas como o autor destas linhas referiu no início do texto, nesta altura do ano são os banhos que falam mais alto.

 

publicado por Alexandre Guerra às 15:27
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