Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

É tudo uma questão de satisfação

aqui referido pelo Rodrigo, citando um texto da Alda Telles, o European Communication Monitor 2010 merece um olhar atento dos profissionais das Public Relations, nomeadamente, daqueles que têm responsabilidades efectivas na gestão deste negócio em Portugal.

 

O estudo em causa tem duas dimensões: A do sector propriamente dito, e que a Alda Telles observou no seu blogue, mas tem também uma outra abordagem muito interessante e que tem directamente a ver com o quotidiano profissional dos consultores de comunicação. Esta dimensão centra-se na pessoa e não tanto no mercado.

 

Uma das conclusões interessantes refere que 69,2 por cento dos profissionais do sector das Public Relations na Europa estão satisfeitos com a sua actividade e trabalho. Um número bastante elevado e pouco habitual quando se trata de falar de graus de satisfação relativamente ao emprego.

 

Ainda mais interessante é escalpelizar este resultado e perceber que 82,3 por cento dos consultores europeus consideram o seu trabalho diário interessante e variado. Outro dado a reter: 71,7 por cento dos consultores consideram que os seus superiores e clientes valorizam o seu trabalho.

 

De sublinhar igualmente o facto de 61,3 por cento dos profissionais de Public Relations admitirem que o seu trabalho é socialmente reconhecido com estatuto.

 

Mas há mais dados interessantes: Quase 44 por cento dos consultores acha que o seu ordenado é adequado, um número francamente positivo, e que cerca de 41 por cento sente que existe um bom equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.

 

O autor destas linhas confessa que ao ver estes valores colocou de imediato algumas reservas sobre a sua aplicabilidade à realidade nacional. E, efectivamente, se os consultores do Leste da Europa apresentam no global um grau de satisfação de 75,1 por cento, já os menos contentes com o seu trabalho são precisamente os do Sul da Europa, nos quais estão os portugueses, com apenas 57 por cento de satisfação.

 

Numa análise mais pormenorizada, verifica-se que os consultores do Sul da Europa encontram-se menos satisfeitos em todas as categorias quando comparados com os restantes colegas da Europa.

 

A estabilidade laboral e as remunerações são as principais preocupações manifestadas pelos profissionais das Public Relations de países como Portugal, a Espanha, a Sérvia, a Itália, a Albânia, Andorra, Kosovo, Macedónia, Croácia, San Marino ou o Montenegro.

 

O estudo refere claramente uma correlação entre aqueles dois factores e o grau de satisfação de um colaborador. E, obviamente, conclui agora o autor destas linhas, um profissional satisfeito terá certamente um maior nível de qualidade de serviço e de motivação do que um consultor insatisfeito.

 

Os grandes discursos, os projectos visionários, as expansões anunciadas, as conquistas mediatizadas de pouco servem quando o problema se encontra nos pilares da estrutura da organização. Certamente que os responsáveis pelo negócio da comunicação em Portugal estão cientes dessa fragilidade e talvez seja devido a esse facto que são particularmente “ruidosos” no exercício da sua actividade, quando comparados, por exemplo, com os seus homólogos das áreas de consultoria jurídica, financeira ou informática.

 

A regra é simples. A consultoria de excelência, seja em qualquer área, tem que ser desempenhada por bons e talentosos profissionais. No caso concreto das Public Relations, só há "grandes" agências com grandes profissionais.

 

Da mesma maneira que os consultores não se definem por aquilo que dizem que são, mas sim por aquilo que fazem, também as consultoras não se devem hierarquizar por aquilo que apregoam, mas sim por aquilo que pagam aos seus colaboradores e pelas condições (materiais e humanas) que lhes dão como factor de valorização enquanto recurso vital para o negócio.

  

publicado por Alexandre Guerra às 22:11
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2 comentários:
De Carolina Enes a 8 de Julho de 2010 às 11:55
Clap, clap, clap.
De Luis Silva a 9 de Julho de 2010 às 14:55
Bom post. Eu acrescentaria que a forma responsável como as consultoras devem tratar os seus colaboradores tem de ser extensível, também, aos estagiários que trabalham para as consultoras. Digo isto, de forma propositada, uma vez que muitas diferenciam o estatudo de colaborador do de estagiário. Já observei os maiores atropelos por parte de entidades nesta área de negócio aos direitos destes trabalhadores. Um que me parece particularmente nefasto é a concessão de estágios não remunerados. É a escravidão dos tempos modernos.

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