Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Um livro que fala de relações públicas, mas sem croquetes e afins

 

“Relações Públicas sem croquete” de Renato Póvoas é, naturalmente, um livro que deve ser lido e analisado pelos consultores das agências de comunicação. Mas, curiosamente (ou nem tanto), esta é uma obra que o PiaR recomendaria ainda com mais vivacidade a muitos “ilustres” directores de comunicação de empresas desta praça, cujo desconhecimento da área das relações públicas é simplesmente confrangedor.
 
O Renato Póvoas começa por constatar uma evidência, é certo, mas nem sempre devidamente explanada nem colocada de forma tão pertinente: “Existem frequentemente uma apropriação do termo [relações públicas] que em nada valoriza a actividade e que faz com que quem actua no sector evite identificar-se como relações públicas. Eles são consultores de comunicação, técnicos de comunicação, profissionais de comunicação empresarial, assessores de imprensa, public relations… enfim, tudo serve para evitar os constrangimentos e a carga negativa das RP.”
 
O autor procura então esclarecer de forma sucinta o conceito de relações públicas à luz de algumas reflexões de origem anglo-saxónica.
 
Numa breve introdução histórica, mas interessante, o autor revela que aquelas concepções de RP estão longe de estarem assimiladas pelo universo português. Algo que se reflecte no desconhecimento profundo demonstrado por pessoas que, à partida, teriam a responsabilidade de estarem informados sobre uma actividade, que o próprio autor informa ter dado os primeiros passos sólidos no início do século XX nos Estados Unidos.
Nomes como Pacheco Pereira ou Eduardo Cintra Torres são dados como exemplos de profunda ignorância sobre as relações públicas em Portugal.
 
Seja como for, Renato Póvoa rebate a má imagem veiculada por aqueles opinion makers, e sublinha que as RP têm como objectivo maior a procura do “equilíbrio do bem estar social”.
 
Um equilíbrio possível apenas através de um relacionamento entre as empresas e os vários públicos. Porém, nesta dinâmica surge uma das principais problemáticas das RP em Portugal: a (não) valorização do sector junto dos organismos e das empresas.
 
“A actividade das relações públicas, na maior parte das organizações, é vista como algo não estratégico, acessório, ou mesmo um fardo”, refere o autor, que depois deixa a solução: “Para esta função ser respeitada e valorizada, terá de ser reconhecida (...) na estrutura organizacional.”
 
A partir daqui, explica o Renato, terá de haver uma coordenação entre os interesses privados e o público, numa equação em que as empresas devem “encarar a responsabilidade social como algo sério que deve ser implementado ao longo de todo o ano, com base numa planificação atempada (…)”.
 
E para que o trabalho das RP seja consequente e sério é preciso desconstruir os mitos do sector, explanados ao longo de várias páginas, que deviam ser lidos atentamente pelos “amigos” dos consultores e, também, pelos tais directores de comunicação.
 
Ainda no campo dos mitos, embora a sua desconstrução seja praticamente aceite por todos, Renato Póvoas deixa um número interessante e revelador da ineficácia dos press release. Citando um estudo espanhol, o autor informa que 85 por cento dos comunicados enviados para as redacções vão directamente para o lixo.
 
No âmbito da actividade dos RP, o Renato deixa informações e orientações válidas, que muitas das vezes parecem estar esquecidas em muitas agências de comunicação e ausentes no trabalho diário dos consultores. Também muito importantes são os valores basilares da actividade: verdade, lealdade, confidencialidade e liberdade.
 
Quanto à actividade si, Renato Póvoas tem uma visão optimista, revelando que as RP estão numa “fase de afirmação” em Portugal, exigindo cada vez mais criatividade aos consultores.
 
Os últimos capítulos do livro são dedicados às RP de guerrilha e ao fenómeno do Buzz. Por último, aborda a questão da comunicação digital, finalizando o livro com as perspectivas das tendências das relações públicas.

publicado por Alexandre Guerra às 07:31
link do post | comentar | favorito

autores

Contacto

piar@sapo.pt

tags

todas as tags

links

twitter wall @blog_PiaR

arquivos

pesquisar

subscrever feeds

Visitas ao poleiro