Domingo, 20 de Julho de 2014

Sem vedetismos nem snobismos

Ao ouvir a convidada de Rita Ferro no programa "Conta me tudo" deste Domingo na Antena 3, este poleiro ficou a conhecer mais uma história de vida que foge aos standards do quotidiano da maioria das pessoas. Com 31 anos, Mariana Moura Santos, designer de media digital, lá foi contando o seu percurso profissional... Do mestrado na Suécia ao trabalho no Reino Unido, passando pelas palestras na América do Sul às novas funções em Miami. Além da perseverança e resiliência, Mariana contou um episódio que acabou por lhe abrir as portas no jornal britânico The Guardian. E o curioso deste episódio é que jamais poderia acontecer em Portugal.

 

Conta então a Mariana que, no âmbito de entrevistas que estava a fazer em Londres para um trabalho de mestrado, "teve a sorte" de estar três horas a falar com o director de tecnologia do The Guardian. E no seguimento dessa conversa, Mariana percebeu que naquele momento poderia haver a possibilidade de concretizar um sonho: fazer parte da equipa do jornal britânico na área das tecnologias. O director acabou por convidar Mariana a estagiar no jornal e no fim da história, os dois acabaram por criar o Guardian Interactive Team. 

 

Aquilo que o autor destas linhas pensou de imediato ao ouvir esta história, foi tentar perceber se tal história seria possível acontecer entre uma estudante nas mesmas condições da Mariana e um director/editor de um jornal português. A resposta é clara: dificilmente. Além de um snobismo e arrogância muito característicos de uma boa parte das chefias da imprensa nacional (felizmente cada vez menos), quantos se dariam ao trabalho de ter uma conversa de "igual para igual" com uma estudante? 

 

Quem tem experiência de jornalismo e aqueles que, enquanto consultores de comunicação ou assessores, lidam com editores e chefias, provavelmente compreenderão o que aqui se escreve.  

 

A primeira vez que o autor destas linhas, então como jornalista, teve uma clara percepção da diferença de comportamentos entre as "estrelas" desta praça, quase inacessíveis, e repórteres de referência internacional, foi há já uns bons anos no Médio Oriente. Primeiro, em Gaza, com Miguel Ángel Bastenier, um nome incontornável do El País. Na altura, em 2002, o autor deste poleiro ficou supreendido pela simpatia e disponibilidade que Bastenier demonstrou para com este, então, jovem jornalista. Sem vedetismos nem snobismos, Bastenier fez sempre questão de manter uma relação de igual para igual. Ora, só quem desconhece profundamente os comportamentos de algumas "vedetas" do nosso jornalismo, estranhará esta comparação.

 

Mas este poleiro poderá fazer ainda uma outra referência. Ainda no mesmo ano, mas desta vez em Ramallah, o autor destas linhas lembra-se da simplicidade com que a conhecidíssima Barbara Plett, da BBC, convivia com os restantes colegas de profissão, sem qualquer presunção ou arrogância.

 

Duas histórias relembradas por este poleiro a propósito da conversa de três horas que a Mariana teve com um director de um dos mais prestigiados jornais do mundo.

publicado por Alexandre Guerra às 14:45
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Horrível

É o melhor adjectivo para o que se passou ontem... e também serve para descrever esta capa do Correio da Manhã.

Como é possível colocarem uma imagem com cadáveres na capa? Onde está a ética e respeito, essencialmente pelos familiares das famílias.

Muito mau, CM, muito mau...

 

Aproveito ainda para realçar que este acontecimento foi capa por todo o mundo. Nos jornais em que vi a página não havia um corpo ou uma imagem chocante ( El Pais, La vanguardia, El Correo, Le Figaro, Daily Mail, Metro, La Presse, Correio do Brasil, O Globo, Estado de São Paulo, Jakarta Post, ClarinX, El Universal, Folha de Pernambuco).

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publicado por Virginia Coutinho às 09:40
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Fundações Jornalísticas, um livro de Filipe Alves

 

Comecei a ler este fim-de-semana o livro recentemente publicado pelo jornalista Filipe Alves (Diário Económico), de título "Fundações Jornalísticas". A associação com o artigo partilhado aqui com o Alexandre foi imediata.

 

Este livro surge no seguimento da tese de Mestrado do jornalista, que pretende explorar novos caminhos para viabilizar a actividade jornalística, como mecenato (mencionado no artigo partilhado pelo Alexandre), fundações,... É um livro de fácil leitura, com uma grande qualidade de escrita e recomendado a todos os profissionais de comunicação!

 

De realçar ainda que, para além da reflexão, podem encontrar um excelente enquadramento, com a história detalhada da imprensa portuguesa, dados e informações muito úteis sobre os grupos de media e diversos meios.

 

 

publicado por Virginia Coutinho às 09:41
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Sábado, 12 de Julho de 2014

...e já lá vão seis anos a "PiaR"

 

 

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publicado por Alexandre Guerra às 19:17
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Os jornais acabaram enquanto negócio. Agora é preciso pensar em mecenato

O anúncio feito pela administração da Controlinveste, no passado dia 11, relativo a "um processo de redução de efectivos no total de 160 postos de trabalho o qual inclui um despedimento colectivo que abrange 140 colaboradores e um conjunto de negociações para rescisão amigável de contrato abrangendo cerca de 20 postos de trabalho", não deixou de ser uma amarga surpresa, mesmo tendo em conta as dificuldades que todo o sector da comunicação social tem atravessado nos últimos anos. 

 

E a surpresa deve-se, sobretudo, à dimensão dos números, com mais de 60 jornalistas envolvidos pertencentes a vários meios da Controlinveste, numa altura em que se pensava que os ajustes mais dramáticos dos principais grupos de comunicação social já tinham sido efectuados. Efectivamente, nos últimos anos, todos os jornais, televisões, rádios e agências noticiosas viveram períodos conturbados, com despedimentos colectivos, ajustes no seu quadro profissional, reformas antecipadas e, em muitos casos, renegociação salarial.

 

Essa foi uma realidade que o próprio autor deste poleiro foi acompanhando em inúmeras conversas de corredor com jornalistas, fotógrafos, editores, directores, paginadores, entre outros. Mas, depois dessa "tempestade", e com as redacções mais "magras", "leves" e "baratas", também se notava que as coisas começavam a estabilizar, com a sensação de que "o pior já tinha passado". Não se perspectivavam, assim, mais despedimentos massivos, como aquele que foi anunciado agora pela Controlinveste. Um número absurdo, tendo em conta que só o DN e o JN vão ficar com menos 44 jornalistas. E, por exemplo, a TSF com menos sete. 

 

Além da dimensão humana deste problema, a questão principal tem a ver com a falta de enquadramento em termos de paradigma com que estas alterações e despedimentos são feitos. Ou seja, está-se perante meras operações contabilísticas, sem qualquer sustentação naquilo que deveria ser o modelo do jornalismo no futuro e do negócio que o sustenta. Isso acontece em parte porque ainda não se sabe bem qual o caminho que o jornalismo deve seguir e, muito menos, que esquema de financiamento o pode viabilizar.

 

Como alguém dizia a este poleiro num almoço recente, fazer depender hoje em dia um projecto jornalístico de receitas de publicidade e de vendas em banca (ou por assinatura) é receita para o desastre... Como, aliás, se viu com projectos editoriais recentes em Portugal, que foram lançados cheios de pujança, mas alicerçados em modelos obsoletos e que, rapidamente, se viram confrontados com a dura realidade dos números. 

 

E nesse mesmo almoço discutiram-se novas formas de negócio que possam viabilizar os jornais e o jornalismo num futuro próximo. E um desses modelos passa por uma espécie de mecenato. Uma possibilidade também observada por João Miguel Tavares num artigo recente do Público. No fundo, parte-se do princípio que tem de haver um investimento financeiro sem uma lógica de lucro inerente (e até mesmo a "fundo perdido"), já que quando uma entidade, seja de que natureza for, decide apoiar uma orquestra, uma equipa de ciclismo, uma exposição ou um projecto escolar não espera dali um retorno monetário. O que está em causa é um outro tipo de "retorno", que pode ser cultural, social ou de outra índole.

 

Este é apenas um caminho que o jornalismo e os jornais poderão vir a seguir nos próximos anos. Para já, ainda não foi encontrada a fórmula que garanta a sua viabilidade saudável para o futuro.

publicado por Alexandre Guerra às 23:15
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Podemos

 

Formada nas redes sociais no início do ano, Podemos tornou-se a quarta maior força eleitoral de Espanha nestas europeias - e a terceira mais votada em Madrid - com uma mobilização clara e eficaz contra a "casta" que domina a cena política do país há quatro décadas. Conquistou mais de 1,2 milhões de votos, correspondendo a quase 8% dos votos expressos, e elegeu cinco eurodeputados.

Houve logo analistas que se apressaram a rotulá-la, procurando reduzir ao esquematismo das fórmulas já gastas pelo uso um fenómeno como este, que é novo. E complexo. E sintomático do desencanto de uma larga fatia dos cidadãos perante a representação política tradicional.

Este escrutínio de 25 de Maio deixou bem claro: ou os partidos mudam radicalmente ou verão fugir cada vez mais eleitores em futuras eleições. Em Espanha, PP e PSOE perderam em conjunto mais de cinco milhões de votos e recuaram cerca de 30 pontos percentuais face aos resultados de 2009. Funcionou como um sinal de alarme que deve ser levado a sério.

Entretanto vale a pena espreitar um dos spots de propaganda televisiva com a marca Podemos. Para se perceber como os votos começam a ser conquistados por esta via. Com profissionalismo e competência.

E aqui não há empates: ou se ganha ou se perde. Na televisão, quem concebeu esta campanha jogou para vencer. Como bem se vê.

publicado por Pedro Correia às 01:23
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Domingo, 8 de Junho de 2014

As mensagens para lá do óbvio

Cena do início de "2001: A Space Odyssey" 

 

O bom cinema, através da sua linguagem artística e conceptual, tem a virtude de comunicar muito para além do óbvio, para lá daquilo que fica retido num primeiro momento. Só o cinema de qualidade superior permite que cada filme se torne num processo de descoberta e redescoberta constante.

 

Todos os grandes filmes devem ser vistos mais do que uma vez, porque há de lá estar sempre mais alguma coisa que da última vez passou despercebida. E o desafio é ir descodificando esses momentos, procurando entrar na cabeça do realizador e perceber qual a mensagem que quereria passar. 

 

Nalguns casos são mensagens subliminares intencionais que, de forma mais ou menos óbvia, fazem parte de uma narrativa. Mas noutros casos, são apontamentos artísticos subtis que, não tendo uma mensagem implícita ou explícita, podem ajudar a reforçar a dimensão quase mitológica de um determinado filme.

 

Ao rever um dos grandes filmes de Stanley Kubrick, "Full Metal Jacket" (1987), o autor destas linhas foi (ainda) surpreendido com uma imagem que nunca tinha reparado: o misterioso e famoso "monólito" de "2001: A Space Odyssey" (1968), a grande obra prima daquele realizador.

 

Numa cena do "Full Metal Jacket" em que o personagem "Cowboy" está prestes a morrer, depois de ter sido atingido por uma "snyper" vietnamita", os seus colegas de pelotão deitam-no no chão e colocam-se à sua volta, e é quando se vê no horizonte algo que se assemelha ao monólito. Uma cena extraordinária e motivadora de imediato de todo o tipo de extrapolações. 

 

Questionado pela revista Rolling Stone em 1987, Kubrick disse tratar-se de uma "amazing coincidence". Coincidência ou não, só a genialidade de homens como Kubrick e filmes como "2001: A Space Odyssey" e "Full Metal Jacket" conseguem suscitar um interesse constante em relação à mensagem que tentam passar... por mais anos que passem.   

 

publicado por Alexandre Guerra às 16:45
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Os bastidores de uma campanha à portuguesa observados pelo Observador

Poderá não ser do interesse de todos os consultores de comunicação, e muito menos do grande público, mas é um registo delicioso para todos os que gostam e trabalham em comunicação política, aquele que o Observador dá a conhecer. Dois trabalhos de reportagem de invulgar qualidade para os dias que correm, assinados por Miguel Pinheiro e Gonçalo Bordalo Pinheiro, que retratam os bastidores da campanha das europeias da Aliança Portugal e do PS.

 

PS: O autor deste poleiro confessa que já há algum tempo não lia nada com tanto entusiasmo na imprensa portuguesa.

publicado por Alexandre Guerra às 16:26
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2014

A música que os assessores de Ronald Reagan nunca perceberam

  

Faz hoje 30 anos que foi lançado o álbum "Born in the USA", o primeiro grande sucesso comercial de Bruce Springsteen e que o catapultou para um outro nível de notoriedade. Estava-se em plena campanha presidencial e Ronald Reagan preparava a sua reeleição para a Casa Branca, através de um discurso em que apelava aos valores conservadores e republicanos da América. 

 

Com uma icónica capa (fotografia de Annie Leibovitz) e um espírito menos "dark" de que o anterior álbum "Nebraska", rapidamente houve quem visse naquele álbum, e sobretudo na música Born in the USA, uma espécie de ode ao "american way of life" na sua vertente mais tradicionalista.

 

Alguns círculos mais conservadores e membros do próprio staff de Reagan não hesitaram em fazer uma "colagem" dos valores defendidos pelo Presidente à mensagem transmitida pela música. Reagan chegou mesmo a materializar essa estratégia numa declaração pública proferida durante um acção de campanha, em que dava a entender que poderia haver alguma proximidade entre o que o Presidente defendia e aquilo que o "Boss" escreveu nas suas canções.

 

De certa forma, essa ideia resistiu aos tempos e muitas pessoas olham para a música "Born in the USA" como uma espécie de hino patriótico. Mas, efectivamente não é. Não só Bruce Springsteen nunca teve qualquer proximidade a Ronald Reagen, como a letra daquela música está longe de representar aquilo que muitos pensam que representa.   

 

Ainda hoje a BBC News referia-se à música "Born in the USA" com uma das letras pior interpretadas de sempre. E de facto, a música é sobre o regresso de um soldado americano aos EUA após ter estado na guerra do Vietname, e retrata as dificuldades que enfrenta na reintegração na sociedade.

 

Além de todos aqueles que nunca voltaram do Vietname, a música chama a atenção para a forma dramática como os veteranos de guerra regressaram a casa, encontrando um país que parecia não ter lugar para eles. A maioria eram pessoas da classe operária que tinham abandonado os seus trabalhos para integrarem as forças armadas e irem combater numa guerra em nome da sua pátria. No regresso aos EUA apenas encontram desemprego e desespero.

 

Há quem veja esta música como um lamento profundo da crise da classe operária dos EUA, que desde a década de 70 começou a sofrer as consequências da desindustrialização da América, nomeadamente no sector automóvel.

 

O problema de alguns conservadores e dos assessores de Reagan que retiraram leituras desta música é que se agarraram apenas ao refrão do Born in the USA.

 

Walter Mondale, o candidato rival presidencial, ainda tentou aproveitar-se da situação ao atacar Reagan, e afirmando que era ele que contava que o apoio de Bruce Springsteen. Algo que foi de imediato desmentido pelos "public relations" de Bruce.

 

Em Novembro desse ano, Reagan vencia as presidenciais de forma avassaladora para um segundo mandato na Casa Branca.

 

publicado por Alexandre Guerra às 15:32
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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Ricardo Costa, director do Expresso, vs Ricardo Costa, irmão do político

A "carta a um irmão político" de Ricardo Costa é um documento bonito, emotivo e sincero. É um tipo de registo raro no jornalismo em Portugal. O problema é que a questão não é aquilo que Ricardo Costa agora pensa, sente ou perspectiva, mas, sim, o que a realidade e as contingências da política ditarão nos próximos tempos. E aí, outros sentimentos, dilemas e dúvidas poderão surgir.

 

Muito provavelmente, há de chegar o dia em que Ricardo Costa, o director do Expresso, se irá "confrontar" com o outro Ricardo Costa, o irmão do político. É uma questão interessante e que não é de fácil resolução. Para já, Ricardo Costa materializou aquilo que lhe vai na alma e na razão numa espécie de carta de intenções para com os leitores do Expresso e para com o seu irmão.  

 

Porém, e na modesta opinião deste poleiro, tendo em conta as regras do "jogo" do jornalismo e da comunicação política, o instinto de Ricardo Costa foi certeiro quando se disponibilizou para abandonar o cargo de director do Expresso. Num gesto de compreensível confiança, a administração da Impresa recusou. Assim sendo, logo se verá se as convicções de Ricardo Costa resistirão à truculenta lógica político-partidária portuguesa.

publicado por Alexandre Guerra às 15:01
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

LPM de regresso à blogosfera

O regresso de Luís Paixão Martins à blogosfera é, por si só, um acontecimento que merece toda atenção deste poleiro. Quanto ao conteúdo da A Teoria do Q, há certamente muito e bom para acompanhar daqui em diante.

publicado por Alexandre Guerra às 11:56
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

"The Social Book"

A nossa Virginia, na senda dos seus objectivos de vida, escreveu um livro. Claro que sobre o mundo digital e, naturalmente, focado no facebook.

Como se isso não fosse suficiente aliciante para a compra ela ainda decidiu, e conseguiu, elevar a fasquia. O prefácio é do Brian Solis.

Fica a sugestão para a compra e o convite para a apresentação do livro, aqui para quem se situa a norte e aqui para a zona de Lisboa.

publicado por Rodrigo Saraiva às 13:42
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O dia seguinte

Atenção aos especialistas em marketing político: os slogans eleitorais devem ser sempre avaliados em função não só da véspera mas também do dia seguinte. Aquela que parecia a melhor mensagem, a do Bloco de Esquerda, transforma-se numa das piores à luz dos resultados concretos. "De pé" anteontem, de rastos agora.

publicado por Pedro Correia às 12:49
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Domingo, 25 de Maio de 2014

a reflectir sobre a reflexão, pelo menos, desde 2009

E lá passou mais um dia de reflexão. Este ano animado por se receber em Lisboa uma final da Champions League. 

Um dia que não faz sentido. Já em 2009 que o andamos a dizer. Recordem este post onde se podem recordar outros.

publicado por Rodrigo Saraiva às 01:03
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Isto nada tem a ver com jornalismo

Há quem lhe chame jornalismo cor-de-rosa, amarelo ou de qualquer outra cor. É um erro. Por uma questão de elementar decência, ninguém deve considerar isto jornalismo.

publicado por Pedro Correia às 14:04
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Enquanto dormíamos...

Enquanto dormíamos... o Observador continuou com a sua estratégia de divulgação e captação de leitores. Do ponto vista da estratégia de comunicação, nada há a apontar. Criaram o emaranhado digital necessário, entre forma e conteúdo, para, quem quiser, ir ver o que por lá se passa pela manhã. Há uns dias emergiu uma polémica sobre um dos artigos lá publicados, que acabou por ter a consequência contrária àquela que aqueles que a lançaram desejavam. A essa polémica, do ponto de vista ético e mais filosófico, já respondeu José Manuel Fernandes. Não vou perder mais tempo com a adequação editorial do dito artigo. Aquilo que eu gostava mesmo de dizer é que, infelizmente, continuamos a ter uma parte da classe jornalística ideologicamente condicionada, que em vez de pensar pela sua cabeça, lamentavelmente, segue apenas orientações dadas por entidades com interesses políticos estranhos à profissão. Mas aquilo que eu gostava de dizer mesmo, é que isso é bom, e que é normal. Pelo menos é normal em todo o mundo civilizado, onde a comunicação social e os seus profissionais aceitam as suas convicções e as expressam. O que não é normal, é que se defenda um certo puritanismo profissional e uma pseudo independência, que acabam por revelar apenas uma parte das cores da paleta ideológica. Defendo, e continuarei a defender, a pluralidade e o pluralismo na comunicação social, porque para o bem e para o mal, o público ouve, lê, e vê, mas também, pensa, e sabe analisar, aquilo que à sua frente é colocado. Dito isto, e passados 4 dias do início do Observador, só posso dizer que gosto e que espero que continue a melhorar. Há coisas para afinar, o que é normal, mas é um jornal digital que segue os standards dos meios online que conhecemos internacionalmente.

 

publicado por Antonio Marques Mendes às 10:15
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2014

to lobby or not to lobby

Os que me conhecem sabem que sou um defensor do lobby e do seu reconhecimento legal e funcionamento transparente. Sempre achei, e continuo a achar, que é algo que ajuda a um país mais desenvolvido e justo.

Por isso em nada fico supreendido com as conclusões deste estudo.

 

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publicado por Rodrigo Saraiva às 14:34
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

Já não há paciência

 

Para a palava maldição e para esta tendência tão portuguesa de justificar desaires próprios com a suposta intervenção de forças ocultas. Basta percorrer os olhos pelas capas dos jornais de hoje e lá salta o famigerado lugar-comum que nada explica e dá uma imagem muito pálida do nosso talento jornalístico:

«Maldição» (Record)

«Derrota na maldição dos penáltis» (Correio da Manhã)

«Beto foi maldição que chegue» (O Jogo)

«A maldição de Beto Guttman» (Jornal de Notícias)

publicado por Pedro Correia às 12:09
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2014

Devaneios sobre o Engajamento

Originalmente publicado na Meios & Publicidade (aqui) e dedicado a todos os que estão a fazer gestão de páginas de Facebook "por fazer"

 

Engajamento, tradução ‘abrasileirada’ de engagement, soa mal, é feio. Também o que os “gestores de comunidades” lhe andam a fazer o é.

 

Engagementé aquela palavra que está em qualquer pitch, por vezes considerado o Santo Graal da gestão das redes sociais: toda a gente quer um elevado engagement rate, toda a gente propõe conteúdo que promova engagement, toda a gente alega que as redes sociais trarão um maior engagement com os actuais e potenciais clientes (e outros stakeholders) da marca /empresa. Em suma, o engagement, a interacção dos/com os seguidores é um dos mais ambicionados objectivos em gestão de redes sociais, com especial destaque para as páginas de Facebook.

 

No entanto, algo de errado se passa… grande parte das empresas estão a tornar um canal de diálogo (o Facebook) num canal unidireccional, de partilha de conteúdo, não aproveitando os benefícios da plataforma enquanto canal de diálogo.Apesar de vermos páginas com bom conteúdo, isto é, com um português cuidado, muita criatividade, boas imagens e até com informações apelativas, a grande maioria das empresas não interage com os seus seguidores. Não há qualquer relação. Qual é o objectivo deste comportamento? Não seria a oportunidade perfeita para começar o tão ambicionado diálogo?

 

Antes de um utilizador interagir com uma qualquer publicação de uma página do Facebook, ele não passa de um seguidor, que pode ou não estar a ver o nosso conteúdo (sabemos que apenas uma pequena percentagem dos nossos seguidores recebem o conteúdo que partilhamos), que pode ou não ter interesse na página, na empresa ou nos seus produtos. Quando alguém interage isso representa já uma manifestação de interesse, no entanto só quando alguém comenta é que temos a hipótese de estabelecer um diálogo! O Facebook não é um canal que facilite essa conversação, assim desperdiçar os momentos em que isso é possível não faz sentido nenhum. Porque razão só os comentários negativos ou questões que os utilizadores colocam merecem resposta? E os restantes? Como se sentirá um utilizador ao ver a sua interacção ignorada?

 

Muitos irão discordar e defender que apenas se deve dar resposta às questões e dúvidas dos seguidores. Discordo. Não significa isto que tenhamos de responder a qualquer intervenção mas que devemos sim procurar criar conversas relevantes, muitas vezes de proximidade. Acredito que é neste ponto que reside a diferenciação e se destaca o bom trabalho de gestão de redes sociais: criar bom conteúdo até pode ser fácil, mas criar relações fortes e significativas é que é o maior desafio.

publicado por Virginia Coutinho às 13:37
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Valor e preço

 

Vale a pena reflectir sobre o valor noticioso do silêncio: na maior parte dos casos, o preço aumenta na razão inversa das declarações que justificam sonoros títulos propagados pelos tambores mediáticos. Incluindo aqueles que não hesitam em fazer do mau gosto uma permanente senha de identidade.

Monica Lewinsky rompe agora um silêncio de uma década em sóbrias confissões à Vanity Fair. Talvez a mais relevante seja a de que chegou a ser aliciada com dez milhões de dólares para ampliar de viva voz o escândalo que a ligou ao ex-presidente Clinton.

Numa época fértil em propostas irrecusáveis, a recusa em falar ao longo deste tempo tornou cada palavra sua ainda mais cobiçável pela comunicação social de todos os matizes. Mas haverá justo preço para a dignidade que apenas o silêncio voluntário permite preservar?

"Todo necio / confunde valor y precio", escreveu Antonio Machado. Tinha razão, como sempre acontece com os melhores poetas.

publicado por Pedro Correia às 11:10
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